Serve, e serve bem, quando a precisão da medida compensa o tamanho do grupo. Com oito ou doze pessoas o resultado fica sólido se cada uma servir de referência para si mesma e o que se olha for olhado com precisão fina. O que um grupo pequeno não sustenta é generalização ampla.
Por que poucas pessoas bastam quando a medida é precisa
Boa parte do que se sabe sobre proteína vem de olhar o músculo por dentro, num pedacinho de tecido em que dá para seguir o caminho de cada aminoácido. É caro, é invasivo e é muito preciso, e essa precisão é o que permite enxergar diferença real com poucas pessoas. Quando o ruído é baixo, o sinal aparece sem precisar de multidão.
A referência de 20 g por refeição nasceu exatamente assim. Doze pessoas por dose, quatro doses diferentes de whey depois do treino, e o músculo olhado por dentro em cada uma. É dali que vem o número presente em quase todo rótulo e em quase toda orientação de whey repetida desde então.
Oito pessoas por grupo bastaram para separar três formas de repartir a proteína ao longo de doze horas [1]. E outras oito bastaram para comparar a proteína espalhada pelo dia contra a proteína concentrada à noite, com cada uma passando pelas duas condições [2].
| O que o desenho faz | Por que compensa o grupo pequeno |
|---|---|
| Cruzado: cada pessoa passa por todas as condições | Elimina a variação entre indivíduos, que é a maior fonte de ruído |
| Medida direta no músculo, não estimativa indireta | Reduz o erro de medição, então o efeito real aparece com menos gente |
| Intervalo longo entre condições | Impede que a condição anterior contamine a seguinte |
| Medida fisiológica, não autorrelato | Não depende da memória nem da honestidade de quem responde |
Precisão não é o mesmo que falar por todo mundo
O que doze pessoas não conseguem oferecer é variedade. Se todas são homens jovens e treinados, o número descreve bem homens jovens e treinados, e diz pouco sobre mulher, idoso ou quem não treina. A limitação de um grupo pequeno raramente é a de estar errado. É a de ser estreito.
Há também o efeito perverso do tamanho no sentido inverso. Grupos pequenos que encontram efeitos grandes tendem a superestimá-los, porque só um efeito exagerado atravessa o corte quando há poucas pessoas. Por isso um achado impressionante em doze pessoas pede replicação antes de virar recomendação. Já um achado modesto em doze pessoas, medido com precisão, costuma ser mais confiável do que parece.
A pergunta útil, então, não é quantas pessoas entraram, e sim se a variação entre elas foi controlada, se a medida era precisa, e se elas se parecem com quem vai usar a informação. Boa parte do que se afirma sobre whey vem exatamente daí, de pouca gente, medida invasiva e condição apertada. É sólido no que olhou e estreito em quem olhou.
Referências Científicas
[1] Areta JL, Burke LM, Ross ML, Camera DM, West DWD, Broad EM, Jeacocke NA, Moore DR, Stellingwerff T, Phillips SM, Hawley JA, Coffey VG. (2013). Timing and distribution of protein ingestion during prolonged recovery from resistance exercise alters myofibrillar protein synthesis. The Journal of Physiology, 591(9), 2319-2331. DOI: 10.1113/jphysiol.2012.244897
[2] Mamerow MM, Mettler JA, English KL, Casperson SL, Arentson-Lantz E, Sheffield-Moore M, Layman DK, Paddon-Jones D. (2014). Dietary protein distribution positively influences 24-h muscle protein synthesis in healthy adults. The Journal of Nutrition, 144(6), 876-880. DOI: 10.3945/jn.113.185280

