O estudo deu resultado. Ele é grande o bastante para você notar?

A diferença entre significância e magnitude, com os números reais da suplementação proteica e o que o intervalo de confiança revela sobre eles.

Resumo Executivo: Significativo é uma palavra emprestada da estatística que não quer dizer importante. Ela diz que o resultado é improvável de ter surgido por acaso, e não diz nada sobre o tamanho dele. É por isso que um efeito real, confirmado e significativo pode ser pequeno demais para mudar qualquer decisão.

Significativo responde a uma pergunta, e não é a que interessa

A significância estatística responde se um resultado seria improvável caso não houvesse efeito algum. É uma pergunta sobre acaso, não sobre magnitude. Com um grupo grande o suficiente, diferenças minúsculas atravessam esse filtro sem dificuldade; com um grupo pequeno, efeitos razoáveis não atravessam.

A consequência prática é que a palavra sozinha não informa nada útil ao leitor. Ela precisa vir acompanhada do tamanho do efeito, a magnitude em unidade concreta, e da faixa de valores que aquele número pode assumir na prática.

No caso do whey isso é fácil de ver na prática. Quando uma manchete anuncia aumento significativo da síntese proteica, que é o processo pelo qual o corpo monta músculo novo, a frase está dizendo que o efeito provavelmente não é acaso. Não que ele seja grande, não que ele dure, e não que se traduza em músculo. A mesma palavra apareceria se o aumento fosse de 5% ou de 60%, e é a diferença entre esses dois números que decide se o pote vale o que custa.

O efeito do whey, medido em quilos

Com o whey dá para ver isso funcionando. Somado ao treino de força, ele acrescenta cerca de dois quilos e meio no levantamento máximo, cerca de trezentos gramas de massa magra, e deixa a fibra muscular um pouco mais grossa [1]. Nada disso é acaso. E nada disso é grande.

A faixa é a parte que some da manchete

Olhe a faixa em volta dos trezentos gramas de massa magra. Na ponta de baixo ela chega a noventa gramas, que é praticamente nada. Na ponta de cima chega a meio quilo. Trezentos gramas é o valor mais provável, e a faixa inteira é o que se pode de fato afirmar.

Uma faixa que se aproxima do zero indica que o efeito pode ser muito menor do que o valor do meio sugere. Não é motivo para descartar o achado, e é motivo para não construir promessa em cima dele. Quando a manchete diz que a proteína aumenta a massa muscular, ela está certa e está omitindo a única informação que permitiria ao leitor decidir se aquilo importa para ele.

O que foi medidoEfeito adicional da suplementaçãoFaixa de valores prováveis (95%)
Força em uma repetição máxima2,49 kg0,64 a 4,33 kg
Massa livre de gordura0,30 kg0,09 a 0,52 kg
Área de secção transversa da fibra310 µm²não indicada nesta tabela, mas registrada na fonte original
Platô de ingestão proteica total1,62 g por quilo por dia1,03 a 2,20 g/kg/dia

Efeito que encolhe conforme o método melhora

Existe um segundo padrão que o tamanho revela e a significância esconde. Com L-carnitina, peso, índice de massa corporal e massa gorda caem. Refeita a conta só com o material de melhor qualidade, sobra a queda de peso [3].

Um efeito que encolhe conforme o método melhora tem uma explicação mais provável do que as outras. Parte dele nasce do método, não da intervenção. Comparar o conjunto inteiro com o material de melhor qualidade é uma conta simples, e é o tipo de informação que só existe quando alguém informa o tamanho do efeito em vez de apenas declarar significância.

O Que Ainda Não Sabemos

Falta uma referência de quanto é grande o suficiente. Não existe consenso sobre qual ganho de massa magra faria diferença de verdade para quem treina. Sem essa régua, dizer que trezentos gramas é pouco ou muito é julgamento, não medida.

Falta também a ponte entre o sinal imediato e o resultado final. O pico de síntese logo depois de uma sessão não acompanha o músculo que aparece quatro meses adiante [2]. Ou seja, um efeito grande no sinal não vira efeito grande no que a pessoa queria.

Para quem escolhe um pote de whey, a régua é essa. O produto entrega um ganho pequeno e real sobre uma base que o treino e a alimentação já constroem, e o valor dele está em completar a proteína que talvez não chegasse, não em produzir o resultado sozinho. Entender como se mede a qualidade de uma proteína é mais útil para essa decisão do que qualquer percentual solto numa manchete.

Para entender o assunto por inteiro

Este artigo responde uma parte. As outras três:

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Perguntas Frequentes

Não. Quer dizer que o resultado seria improvável se não houvesse efeito algum. O tamanho é uma informação separada, e é a que permite julgar se vale a pena.

Porque ele mostra a faixa de valores compatível com os dados. Um ganho estimado em 0,30 kg com intervalo de 0,09 a 0,52 significa que o efeito real pode ser de noventa gramas ou de meio quilo, e as duas pontas levam a decisões diferentes.

Não necessariamente. Efeitos pequenos que se acumulam por anos, ou que se somam a outros, podem valer a pena. O erro está em apresentá-los com a linguagem de um efeito grande.

Um sinal forte é ele encolher quando a análise considera apenas os estudos de melhor qualidade. Outro é o intervalo de confiança encostar no zero. Ambos aparecem no artigo original e quase nunca na manchete.

Referências Científicas

[1] Morton RW, Murphy KT, McKellar SR, Schoenfeld BJ, Henselmans M, Helms E, Aragon AA, Devries MC, Banfield L, Krieger JW, Phillips SM. (2018). A systematic review, meta-analysis and meta-regression of the effect of protein supplementation on resistance training-induced gains in muscle mass and strength in healthy adults. British Journal of Sports Medicine, 52(6), 376-384. DOI: 10.1136/bjsports-2017-097608

[2] Mitchell CJ, Churchward-Venne TA, Parise G, Bellamy L, Baker SK, Smith K, Atherton PJ, Phillips SM. (2014). Acute Post-Exercise Myofibrillar Protein Synthesis Is Not Correlated with Resistance Training-Induced Muscle Hypertrophy in Young Men. PLoS ONE, 9(2), e89431. DOI: 10.1371/journal.pone.0089431

[3] Talenezhad N, Mohammadi M, Ramezani-Jolfaie N, Mozaffari-Khosravi H, Salehi-Abargouei A. (2020). Effects of l-carnitine supplementation on weight loss and body composition: A systematic review and meta-analysis of 37 randomized controlled clinical trials with dose-response analysis. Clinical Nutrition ESPEN, 37, 9-23. DOI: 10.1016/j.clnesp.2020.03.008

ESTILO EDITORIAL

Engenharia do Corpo
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