O whey só ajuda se estiver faltando proteína, e feridas que não fecham costumam ter outro motivo. Quando a cicatrização demora, é natural procurar um alimento ou suplemento que acelere o processo, e o whey aparece entre as sugestões. Ele não é tratamento para ferida. Ajuda quando a alimentação está entregando menos proteína do que o organismo precisa e essa falta está travando a recuperação. Cicatrizar pede proteína, energia, vitaminas, circulação e o tratamento da própria ferida, não um pote.
A cicatrização depende de muito mais do que um suplemento
Fechar uma ferida exige produzir células novas, formar vasos, reorganizar tecido e controlar a inflamação, e cada etapa depende de fatores como:
- quantidade adequada de proteínas;
- energia suficiente;
- vitaminas e minerais;
- circulação sanguínea;
- controle de doenças como diabetes;
- tratamento correto da própria ferida.
Dificilmente um único suplemento decide o resultado dessa lista [1]. Quem tem ferida precisa de 1,25 a 1,5 g de proteína por quilo por dia, acima dos 0,8 g de quem está saudável [1].
Qual é o papel da proteína?
A proteína é a matéria-prima do reparo dos tecidos [2], e quem tem uma ferida para fechar precisa de mais dela do que uma pessoa saudável: a diretriz para lesões por pressão recomenda 1,25 a 1,5 g por quilo de peso por dia, contra 0,8 g fora dessa situação [1]. Quando a alimentação fornece menos do que isso, a recuperação atrasa, e aumentar a proteína entra na estratégia. O whey é uma das formas de chegar lá, o que não o torna necessário para todo mundo.
Então toda pessoa com uma ferida deveria tomar whey?
Não. Se a alimentação já entrega essa quantidade, o suplemento não acrescenta benefício. Quem tem desnutrição, perda de massa muscular, pouco apetite ou dificuldade para se alimentar, por outro lado, costuma se beneficiar de uma complementação, e a decisão vem da avaliação nutricional, não da presença da ferida. O que a avaliação procura é um déficit.
Onde a proteína entra no fechamento de uma ferida
Proteína suficiente é parte reconhecida do cuidado de quem tem uma ferida para fechar [1], e quando a alimentação não chega lá, suplementos proteicos completam a dieta. O whey não acelera a cicatrização por ter uma propriedade especial; o benefício dele está em corrigir uma falta. E há feridas em que a falta não é de proteína.
O erro é esperar que a proteína resolva o que a causa não tratada mantém
É comum acreditar que a cicatrização depende só da proteína, mas feridas de difícil cicatrização costumam estar ligadas a infecção, diabetes mal controlado, problema circulatório, tabagismo e outras condições. Se essas causas não forem tratadas, o whey sozinho dificilmente fará diferença.
O whey protein é útil quando ajuda a chegar à proteína necessária em pessoas com risco de déficit nutricional. Ele não substitui o tratamento da ferida nem resolve, sozinho, o que mantém a ferida aberta.
A pergunta que realmente importa
“O whey cicatriza feridas?” pergunta pelo produto. A pergunta que o cuidado faz é outra: “Minha alimentação está fornecendo o que meu corpo precisa para cicatrizar, e o que está impedindo essa ferida de fechar?” A primeira metade pode ter o whey na resposta. A segunda quase nunca tem.
Perguntas Frequentes
Pode ajudar indiretamente quando corrige uma ingestão insuficiente de proteínas. O suplemento não possui ação cicatrizante própria.
Depende. Se houver dificuldade para atingir a necessidade diária de proteínas, o suplemento pode fazer parte da estratégia nutricional. A decisão deve ser individualizada.
Não. O suplemento pode complementar a ingestão de proteínas, mas a cicatrização depende de diversos nutrientes e do tratamento correto da causa da ferida.
Referências Científicas
[1] Munoz N, Posthauer ME, Cereda E, Schols JMGA, Haesler E. (2020). The Role of Nutrition for Pressure Injury Prevention and Healing: The 2019 International Clinical Practice Guideline Recommendations. Advances in Skin & Wound Care, 33(3), 123-136. DOI: 10.1097/01.ASW.0000653144.90739.ad
[2] Stechmiller JK. (2010). Understanding the role of nutrition and wound healing. Nutrition in Clinical Practice, 25(1), 61-68. DOI: 10.1177/0884533609358997

