O whey pode ajudar, e não porque faça ganhar peso. Perder peso durante uma doença raramente é boa notícia: a pessoa come menos, perde massa muscular e não chega às necessidades nutricionais, e dessa perda nasce a ideia de tomar whey para recuperar o peso. O papel do suplemento é facilitar a ingestão de proteína quando a alimentação não dá conta, e o que ele ajuda a recuperar é mais específico do que o número da balança.
Nem toda perda de peso é igual
Quem emagrece por causa de uma doença perde gordura e também músculo [1], e recuperar os quilos não significa recuperar a musculatura nem o estado nutricional. Perder mais de 5% do peso em três meses sem querer já é critério de risco de desnutrição [2], e a partir daí a preocupação passa a ser a qualidade da recuperação, não a balança. A vantagem do whey nessa fase está no tamanho da dose.
Quando o volume pequeno da dose faz diferença
O whey concentra 20 a 25 g de proteína num copo, e isso ajuda quem:
- estão com pouco apetite;
- sentem saciedade rapidamente;
- têm dificuldade para consumir alimentos sólidos;
- precisam aumentar a ingestão de proteínas sem fazer refeições muito grandes.
Nessas situações o suplemento facilita chegar à meta proteica do dia. Recuperar peso ainda depende de energia total, da doença melhorar e do que sobrou de músculo.
O whey faz recuperar peso mais rápido?
Não necessariamente. Recuperar peso depende da ingestão total de energia, proteína e outros nutrientes, e da melhora da doença que levou ao emagrecimento. O whey contribui quando corrige uma proteína insuficiente, e não substitui uma alimentação completa; é nesse lugar que as diretrizes o colocam.
Perda de peso involuntária pede atenção nutricional
As diretrizes de nutrição clínica pedem atenção especial a quem tem risco de desnutrição ou perda involuntária de peso, e para quem está doente a recomendação de proteína sobe para 1,0 a 1,5 g por quilo por dia [1][2]. Quando a alimentação não chega lá, suplementos proteicos entram na estratégia para preservar ou recuperar massa muscular, e o objetivo não é só aumentar o peso, mas melhorar o estado nutricional inteiro. Medir isso pela balança é o erro mais comum.
O erro é medir a recuperação pela balança
É comum acreditar que qualquer ganho de peso representa recuperação, e nem sempre é assim: depois de uma doença, recuperar massa muscular importa mais do que recuperar os quilos, e por isso a estratégia nutricional olha além da balança.
Quando uma doença provoca perda involuntária de peso, o whey protein ajuda a complementar a proteína e a favorecer a recuperação nutricional. O papel dele não é fazer ganhar peso rápido, mas entregar um nutriente importante num momento de necessidade maior.
A pergunta que realmente importa
“O whey faz recuperar o peso perdido?” mede a coisa errada. A pergunta que mede a certa é: “Estou recuperando apenas peso ou também massa muscular e estado nutricional?” Essa diferença diz mais sobre a recuperação do que a balança sozinha.
Para entender o assunto por inteiro
Este artigo responde uma parte. As outras três:
- Como o corpo usa a proteína quando adoece e o papel do whey na recuperação: o que muda na proteína quando o corpo adoece
- Por que o músculo some tão rápido quando o corpo fica parado: por que o músculo some tão rápido quando alguém fica dias parado
- O que a alimentação muda em quem está internado: o que a alimentação muda no resultado de quem está internado
Perguntas Frequentes
Pode ajudar quando facilita o consumo de proteínas em pessoas com dificuldade para se alimentar. A recuperação depende também da ingestão de energia e da melhora da doença.
O whey não tem como objetivo promover ganho de peso. Ele fornece proteína e pode fazer parte de uma estratégia nutricional quando existe necessidade de recuperação.
Em muitos casos, sim, principalmente quando a alimentação não consegue fornecer proteína suficiente. A indicação deve considerar a situação clínica e a orientação do profissional de saúde.
Referências Científicas
[1] Muscaritoli M, Arends J, Bachmann P, et al. (2021). ESPEN practical guideline: Clinical Nutrition in cancer. Clinical Nutrition, 40(5), 2898-2913. DOI: 10.1016/j.clnu.2021.02.005
[2] Cederholm T, Barazzoni R, Austin P, et al. (2017). ESPEN guidelines on definitions and terminology of clinical nutrition. Clinical Nutrition, 36(1), 49-64. DOI: 10.1016/j.clnu.2016.09.004

