Os Três Tipos de Whey: Concentrado, Isolado e Hidrolisado

Só existem três tipos, e os três vêm do soro do leite. O que muda entre eles é o grau de filtragem, e tudo que vem de outra origem não é whey.

Resumo Executivo: só existem três, e os três vêm do soro do leite. O que muda entre eles é o grau de filtragem, e tudo que vem de outra origem não é whey.

O mercado transformou “whey” em sinônimo de proteína

Hoje qualquer pote de proteína acaba chamado de whey, e isso é conveniente para quem vende, porque a palavra virou sinônimo de qualidade.

Whey é a proteína do soro do leite. Se veio da clara do ovo, da soja, da ervilha ou da carne, é proteína em pó, e pode até ser boa, mas não é whey.

Saber disso é o que separa comprar com clareza de comprar pelo nome que está na frente da embalagem.

Os três tipos, um por um

O concentrado é o mais simples dos três e o mais comum na prateleira. Ele guarda parte da gordura e da lactose do leite original, e costuma ter entre 70% e 80% de proteína por peso, com o restante dividido entre carboidrato e gordura. É o mais barato, e entrega proteína de alta qualidade [1].

O isolado passa por uma filtragem mais fina, que remove boa parte da gordura e da lactose. O resultado fica em torno de 90% de proteína ou mais. Ele custa mais caro, mas essa diferença de preço compra menos lactose, não uma proteína melhor.

O hidrolisado é um isolado que passou por uma etapa a mais: enzimas quebram parte das proteínas em pedaços menores antes da secagem, para acelerar a digestão. Na prática, a diferença de resultado é pequena para a maioria das pessoas, e ele é o mais caro dos três.

TipoProteína por pesoLactosePreço
Concentrado70% a 80%mais altabaixo
Isolado90% ou maisbaixamédio
Hidrolisado90% ou maisbaixaalto

De onde vem a diferença entre eles

Os três saem do mesmo soro e carregam a mesma proteína. O que os separa é o quanto aquele líquido foi filtrado antes de virar pó.

Quanto mais fina a filtragem, mais água, lactose, gordura e minerais saem, e maior fica a proporção de proteína no que resta. O concentrado é o menos filtrado dos três, o isolado passa por mais etapas, e o hidrolisado é o isolado com a quebra enzimática no fim.

A confusão mais cara da categoria nasce daí: achar que o mais filtrado é melhor em tudo. Ele não é melhor em proteína, que é a mesma nos três.

Filtrar mais entrega duas coisas concretas. Menos lactose, que resolve o desconforto de quem não a tolera bem. E mais proteína no mesmo peso de pó, o que significa menos carboidrato e menos gordura em cada dose, e conta para quem está com a caloria do dia apertada.

Por que os mais filtrados custam mais

Filtrar mais custa mais de verdade. São mais etapas, e cada uma joga fora parte do material, o que significa mais soro para fazer o mesmo pote. Até aí o preço maior tem uma razão real por trás.

O hidrolisado é onde a conta deixa de fechar. A etapa extra dele é uma só, e o salto de preço em relação ao isolado costuma ser bem maior do que esse acréscimo de processo justifica. Ali você paga pelo lugar que o produto ocupa na prateleira, e não pelo que foi feito com ele.

Resumindo a conta: quem não tem problema com lactose e não está contando cada caloria não tem o que ganhar saindo do concentrado.

O que está na prateleira e não é whey

Essas são as proteínas que mais aparecem ao lado do whey e que costumam ser confundidas com ele. Todas podem ser boas, e nenhuma é whey.

Caseína. Vem do mesmo leite, e não do soro. Ela é a proteína que fica retida na massa quando o leite vira queijo, enquanto o soro escorre. É digerida devagar e faz um trabalho diferente no corpo, como explica Whey e Caseína Fazem Trabalhos Opostos no Seu Músculo (link no fim deste artigo).

Albumina. É a proteína da clara do ovo. Costuma ser barata e é de boa qualidade, com sabor mais forte e digestão mais lenta que a do whey.

Proteína de carne. Aqui é preciso ler o rótulo com atenção, porque o nome cobre produtos bem diferentes. Alguns trazem proteína isolada da carne, e outros trazem colágeno, que é pobre em leucina e não serve para construir músculo.

Proteínas vegetais. Soja, ervilha e arroz, sozinhas ou combinadas. Servem bem para quem não consome leite, com sabor e textura diferentes.

O 3W e o 2W não são tipos novos. As siglas contam quantos wheys foram juntados no mesmo pote: o 3W traz concentrado, isolado e hidrolisado, e o 2W traz dois deles, em geral concentrado e isolado. Nos dois casos continua sendo só proteína do soro, e a sigla não diz em que proporção cada um entra.

O blend proteico é outra coisa. Ali o whey aparece misturado com caseína, albumina ou proteína vegetal, e o pote deixa de ser só whey. Nada impede o fabricante de fazer isso, e é comum, porque essas fontes custam menos.

Em todos esses casos, quem informa a composição real é a lista de ingredientes, atrás. E ela informa também a proporção, porque ali os ingredientes aparecem do que tem mais para o que tem menos.

Whey virou selo, e o selo não diz quanto tem dentro

A palavra saiu do pote e foi parar em barra, bala de goma, bebida pronta, bolacha e sorvete. Em boa parte desses produtos existe proteína do soro de verdade ali dentro, então a palavra não é mentira.

O que muda é a quantidade. No pote, a dose é calculada para entregar proteína. Num produto pronto, ela é um ingrediente entre outros, e a quantidade cai bastante. A palavra continua no rótulo, e o que chega ao seu corpo é bem menos.

Quem quiser comparar esses formatos encontra isso na seção de snacks proteicos do portal, que mostra quanto cada um entrega por porção.

O que a diferença muda na prática

A qualidade da proteína é parecida entre os três tipos de whey, e para construir músculo o que decide é a proteína total do dia, não o tipo escolhido [2][3].

O que de fato muda entre eles é a digestão e o bolso. Quem sente desconforto com lactose tende a se dar melhor com o isolado. Quem não sente nada com o concentrado não ganha nada trocando, além de pagar mais.

O hidrolisado carrega ainda uma confusão de nome. Existem fórmulas chamadas de extensamente hidrolisadas, usadas no tratamento de alergia à proteína do leite, e elas funcionam porque quebram a proteína em pedaços tão pequenos que o sistema imune deixa de reconhecê-la. O hidrolisado de suplemento é outra coisa: a quebra ali é parcial, feita para facilitar a digestão, e a proteína continua sendo reconhecida. Ele não serve para quem tem alergia.

Como comparar dois potes na hora da compra é assunto da seção de escolha do portal.

O Que Ainda Não Sabemos

Quanto de lactose sobra em cada tipo varia entre fabricantes, e não existe obrigação de informar isso quando o produto fica abaixo do piso que exige declaração. Dois isolados podem ser bem diferentes sem que o rótulo mostre.

Também não está claro se a digestão mais rápida do hidrolisado produz alguma diferença de resultado que justifique o preço. A vantagem existe no papel, e ninguém demonstrou que ela se traduz em músculo.

E a tolerância de cada pessoa à lactose varia demais para que exista regra geral. Algumas usam concentrado sem problema nenhum, e outras precisam do isolado.

Para entender o assunto por inteiro

Este artigo responde uma parte. As outras cinco:

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Perguntas Frequentes

O concentrado, na maioria dos casos. Ele entrega a mesma proteína pelo menor preço, e só vale trocar se aparecer desconforto com a lactose.

Não em qualidade de proteína. Ele tem menos lactose e menos gordura, e custa mais por isso. A escolha depende da sua digestão e do seu orçamento.

Para a maioria, não. A diferença de digestão é pequena, e o salto de preço em relação ao isolado é maior do que a etapa extra de processo justifica.

Isolado e hidrolisado, que passam por mais filtragem. Nenhum dos dois é zero lactose.

São potes que juntam mais de um tipo de whey. O 3W traz os três, e o 2W traz dois. Nenhum é um tipo novo, e a sigla não diz em que proporção cada um entra.

Não. Whey é só a proteína do soro do leite, e as outras são fontes diferentes.

Costuma ter. O que muda é a quantidade, porque num produto pronto a proteína é um ingrediente entre outros, e não a dose calculada de um pote.

Pouco. O que decide é a proteína total do dia, e os três dão conta disso quando a meta é alcançada [3].

Referências Científicas

[1] Jäger R, Kerksick CM, Campbell BI, et al. (2017). International Society of Sports Nutrition Position Stand: protein and exercise. Journal of the International Society of Sports Nutrition, 14, 20. DOI: 10.1186/s12970-017-0177-8

[2] Schoenfeld BJ, Aragon AA. (2018). How much protein can the body use in a single meal for muscle-building? Implications for daily protein distribution. Journal of the International Society of Sports Nutrition, 15, 10. DOI: 10.1186/s12970-018-0215-1

[3] Morton RW, Murphy KT, McKellar SR, et al. (2018). A systematic review, meta-analysis and meta-regression of the effect of protein supplementation on resistance training-induced gains in muscle mass and strength in healthy adults. British Journal of Sports Medicine, 52(6), 376-384. DOI: 10.1136/bjsports-2017-097608

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