Não, se os rins são saudáveis. Essa preocupação só faz sentido para quem já tem doença renal. Ela soa lógica, porque os rins filtram os resíduos da proteína, e o erro está em aplicar a quem tem rim saudável um cuidado que foi pensado para quem já tem o rim doente.
De onde saiu a ligação entre proteína e rim
A preocupação tem origem real. Na doença renal, a quantidade de proteína precisa de atenção, e controlar essa quantidade faz parte do tratamento.
O erro foi estender esse cuidado a rins que funcionam bem. Foi assim que “muita proteína prejudica os rins” saiu do consultório e virou frase de academia.
O que acontece nos rins de quem é saudável
Quando a alimentação passa a ter mais proteína, os rins aumentam o ritmo de filtragem para dar conta do que chegou, e isso aparece no exame e assusta. Mas é uma adaptação: quando a proteína volta ao normal, o rim volta também.
Trabalhar mais não é sofrer dano, e rim saudável não desenvolve doença renal por causa de uma alimentação rica em proteína [1], nem tem o funcionamento piorado por ela [2].
Duas coisas ainda ficam em aberto. Não se sabe o que acontece com quem come bastante proteína por muitos anos, porque o que se conhece cobre semanas e meses. E quem tem obesidade, resistência à insulina ou diabetes precisa de mais cuidado, porque nessas condições os rins já trabalham diferente antes de a proteína entrar na conta.
Quando a quantidade passa a importar
A proteína precisa ser avaliada quando existe doença renal diagnosticada, queda no funcionamento dos rins, alguma doença metabólica ou orientação médica específica para controlá-la [3].
Nesses casos, quem decide sobre o whey é o profissional que acompanha o tratamento, e o motivo não é o whey ser perigoso, é o rim doente exigir acompanhamento.
E existe uma dificuldade prática aqui: doença renal costuma ser silenciosa, então muita gente tem alteração sem saber. É por isso que nefrologistas recomendam conhecer o estado dos rins antes de começar a suplementar.
A pergunta que realmente importa
“Whey faz mal para os rins?” pergunta pelo produto, e a pergunta útil é outra: como estão os meus rins? O que define se existe motivo para preocupação é a saúde dos rins, e não o suplemento.
Para entender o assunto por inteiro
Este artigo responde uma parte. As outras cinco:
- A Janela Anabólica é Mito? Que o músculo responde por um ou dois dias, e que o horário só pesa nas 4 a 6 horas em torno do treino
- Preciso de Whey Para Ganhar Músculo? O que constrói músculo de verdade e onde o whey é só conveniência
- Whey Engorda? Não: nenhum alimento engorda sozinho, e o whey ainda sacia
- Whey É Feito em Laboratório? Que o whey é soro de leite filtrado e seco na fábrica de queijo, e não substância feita em laboratório
- Whey É Anabolizante? Não: o whey é alimento, e anabolizante é medicamento de controle
Isto se conecta com
- O Que o Whey Não É: que o whey não é remédio, hormônio, refeição nem leite em pó
- O Que o Whey Entrega, e o Que Depende de Você: o mapa dos efeitos do whey no corpo, e a condição que cada um exige
Perguntas Frequentes
Não. O aumento no ritmo de filtragem é adaptação, não dano.
Depende do estágio, e quem decide é o profissional que acompanha o tratamento.
Em rim saudável, não. A preocupação vale para quem já tem doença renal.
Nefrologistas recomendam, porque doença renal costuma ser silenciosa.
Referências Científicas
[1] Schwingshackl L, Hoffmann G. (2014). Comparison of High vs. Normal/Low Protein Diets on Renal Function in Subjects without Chronic Kidney Disease: A Systematic Review and Meta-Analysis. PLOS ONE, 9(5), e97656. DOI: 10.1371/journal.pone.0097656
[2] Devries MC, Sithamparapillai A, Brimble KS, Banfield L, Morton RW, Phillips SM. (2018). Changes in Kidney Function Do Not Differ between Healthy Adults Consuming Higher- Compared with Lower- or Normal-Protein Diets: A Systematic Review and Meta-Analysis. The Journal of Nutrition, 148(11), 1760-1775. DOI: 10.1093/jn/nxy197
[3] Ko GJ, Rhee CM, Kalantar-Zadeh K, Joshi S. (2020). The Effects of High-Protein Diets on Kidney Health and Longevity. Journal of the American Society of Nephrology, 31(8), 1667-1679. DOI: 10.1681/ASN.2020010028

